ELENA, um filme envolvente

por: Gabriel Fabri – Pop with Popcorn– 22/10/2012

Ao apresentar Elena numa sessão lotada de uma tarde de segunda feira, durante a 36ª Mostra Internacional de Cinema, a estreante Petra Costa dedicou o seu filme a uma amiga na plateia, a primeira pessoa a quem expressou seu desejo de realizá-lo. Não se pode negar que foi preciso muita coragem para tirar a ideia do papel – a obra não é uma realização comum. É uma imersão nos sentimentos da própria diretora, antes de tudo.

O documentário se consiste numa visita ao passado de Petra por meio da figura de sua irmã, Elena, que morreu em 1990, quando a diretora tinha apenas sete anos – suficientes para marcá-la para sempre. Elena queria ser atriz de cinema e, por essa razão, tentou ganhar a vida em Nova York, cidade onde viria a falecer. O filme reconstrói a trajetória da personagem da infância até a morte por meio da narração em off de Petra e do uso de vídeos caseiros e gravações, entre outros recursos estilísticos.

Longe de ser um arrematado de registros das duas irmãs, Elena une bem o material disponível e lida com a falta de usando cenas de uma recente viagem de Petra a Nova York, por onde ela perambula por lugares que a atriz certamente passou enquanto era viva, numa estratégia que resulta na união de Petra e Elena, também ressaltada na narração – a diretora considera que sua irmã vive dentro dela, e logo as duas se confundem na tela em alguns momentos. Essas imagens, muitas com o fundo borrado e somente a personagem nítida, oferecem uma beleza estética grande ao resultado final e funcionam como suporte da narração que conduz a história. Os registros de Elena começam quando ela tem treze anos e sua irmãzinha acaba de nascer, e quando não há nenhum, Petra supre a necessidade com sua “atuação”.

O exito do documentário é emocionar a audiência não só com a história de Elena, mas com o amor que sua irmã transmite ao realizar essa nobre homenagem. Com recursos visuais interessantes, narração simples e metafórica e uma ótima montagem, Elena se torna um filme envolvente, que funciona como homenagem a uma personagem e uma pequena autobiografia de outra.

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