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13 DE AGOSTO DE 2013

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“Vá ver Elena, não demore”, recomenda o escritor” Felipe Pauluk em resenha para o Canal Click.

Quem é Elena?

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publicado em 17/10/2013
Livro: O suicídio e sua prevenção

O médico, professor e consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS) José Manuel Bertolote desenvolveu inúmeros trabalhos acerca do suicídio, sempre a partir de uma perspectiva holística para o tema, se interessando por aspectos culturais, sociais e psicológicos que influenciam comportamentos suicidas. Em seu livro O Suicídio e sua prevenção, todas essas visões estão presentes. Antes de se aprofundar nas causas e na prevenção do suicídio, apresenta histórico sobre o tema e analisa a ocorrência no Brasil e no mundo.

Leia a introdução do livro, que resume a trajetória do suicídio que, ao longo da história, foi objeto de estudo teológico, psicopatológico, sociológico, filosófico e a atual abordagem sociossanitária.

(BERTOLOTE, José Manoel. Introdução. In: O Suicídio e sua prevenção. São Paulo: Editora UNESP, 2012, p. 15- 17)

“A humanidade conhece o suicídio desde seus primórdios. Em quase todos os antigos livros sagrados (a Bíblia, o Mahabharata, o Gilgamesh etc.) e nas mitologias da maioria dos povos antigos, há inúmeros relatos de casos de suicídio. Nesses textos, embora não houvesse uma palavra específica para designar a morte autoinfligida, esse comportamento geralmente é apresentado de forma heroica, cometida por um deus, por um ser mítico, para salvar seu povo ou para se safar de uma situação sem saída.

Seguindo essa tradição, até meados do século XVII o suicídio permaneceu como tema de interesse predominantemente teológico, religioso e filosófico, passando então a atrair o interesse dos médicos. Hoje em dia, além desses campos, ainda profundamente interessados no tema, encontramos psicólogos, antropólogos, literatos, linguistas, demógrafos, epidemiólogos, psicanalistas e historiadores, entre outros, interessados no que veio a ser conhecido como “suicidologia”. O historiados George Minois recenseou, em 1995, mais de 5 mil obras sobre o suicídio escritas apenas em alemão, francês e inglês, a partir do início do século XIX.

De século XVIII em diante, o suicídio passou a ser cada vez mais considerado patológico. No século XIX, importantes psiquiatras como Philippe Pinel, Esquirol e Sigmund Freud postularam que o suicídio decorria de algum transtorno mental, colocando-o claramente no domínio da psicopatologia. Contudo, no final do século XIX, Émile Durkheim, um dos criadores da Sociologia, propôs que o suícidio era um fenômeno predominantemente sociológico (Durkheim, 1897), no que foi secundado por Marx. A partir da metade do século XX, alguns filósofos voltaram a se interessar pelo suicídio, considerando-o novamente um problema filosófico, e Albert Camus (1942) chegou a considerá-lo o mais importante tema de toda a filosofia.

Segundo o francês Jean Baecheler (1975), não há nada mais especificamente humano que o suicídio, posto que apenas o ser humano é capaz de refletir sobre sua própria existência e de tomar a decisão de prolongá-la ou de dar-lhe fim, e que o “suicídio” de animais não passa de um mito sem comprovação factual.

Da Antiguidade aos dias de hoje, o suicídio passou de objeto singular, raro e, por vezes, exemplar, a fenômeno sociossanitário de proporções consideráveis, constituindo-se em uma das três principais causas de óbito em determinadas faixas etárias de vários países e em várias regiões do globo. Mais recentemente, sobretudo graças aos esforços desenvolvidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ficou clara a magnitude do impacto que o suicídio representa para a Saúde Pública, bem como a importância que intervenções desenvolvidas a partir dessa perspectiva têm para sua prevenção – e, por fim, para reduzir a mortalidade e o sofrimento a ele associados. É com essa visão – a da Saúde Pública (OMS, 1998; De Leo, Bertolote e Lester, 2002) – que esse tema será aqui abordado. Mais que pretender entender e elucidar a verdadeira natureza do suicídio, pretendo contribuir para a redução do impacto do suicídio nas comunidades e na sociedade e, em última – e deliberadamente pretensiosa – instância, para sua prevenção.”