Esse conteúdo foi desenvolvido em parceria com o Centro Cultural da Juventude

 

Elena é uma jovem atriz de teatro do famoso grupo Boi Voador que, na segunda metade dos anos 1980, ruma para Nova York em busca do sonho de ser estrela de cinema e vive um fim trágico: entra no espiral da depressão e se suicida.

Petra Costa, diretora do fime, tem nos diários de Elena e na obra de Shakespeare, Ofélia, a sua inspiração. A partir dessas leituras, a diretora reconhece o arquétipo que une várias jovens mulheres que se afogam nos próprios sentimentos, num excesso de desejos e vontades. Nas palavras de Frei Betto, “Elena é o espelho no qual se reflete a turbulência presente no coração de todos os jovens”.

Pela delicadeza como o filme aborda as questões próprias da juventude e pelo seu caráter universal, ELENA pode facilitar conversas sobre a condição juvenil contemporânea, como identidade, a decisão sobre a vida profissional, relações familiares e de afeto.

Ser jovem

Por muito tempo a juventude foi vista apenas como a fase de transição entre a adolescência e a vida adulta ou como um problema social para a sociedade. Alguns fatores contaram para o reconhecimento dos jovens como sujeito de direitos que demandam políticas públicas específicas. No Brasil, a partir de 2000, movimentos e redes de jovens se somaram a outras iniciativas, para realizar por todo o país, pesquisas, mobilizações e consultas sobre a temática juvenil. Em 2004, foram criadas as bases para a Política Nacional de Juventude, a Secretaria Nacional de Juventude, o Conselho Nacional de Juventude.

Finalmente, em 2010, no Ano Internacional da Juventude decretado pela ONU, a Emenda Constitucional 65 incluiu a palavra “jovem” no capítulo da Constituição Federal “Da Família, Da Criança, Do Adolescente e Do Idoso”. Dados do Censo, também de 2010, apontam para uma população jovem, entre 15 e 29 anos, de aproximadamente 50 milhões de brasileiros e brasileiras ou pouco mais de 25% da população do país. Estamos vivendo um período histórico de ápice numérico desta categoria social no Brasil, tanto em termos absolutos como relativos. Daí decorrem as afirmações: “nunca antes o país teve tantos jovens, nem provavelmente no futuro terá.”, que avaliam a tendência da pirâmide etária de países em desenvolvimento: a expectativa de vida gradativamente aumenta, enquanto que a natalidade diminui progressivamente.

Conhecer o que caracteriza as juventudes brasileiras, seus sonhos, medos e angustias são relevantes para o desenvolvimento de políticas públicas adequadas a suas necessidades.

Assim, os temas suscitados pelo filme ELENA, bem com a exibição de trechos e posterior discussão sobre eles, podem contribuir para conversas entre jovens ou com jovens acerca de aspectos da condição juvenil no sentido de garantir-lhes o direito a experimentação e a políticas públicas que dialoguem com os elementos que caracterizam a juventude de hoje.

Acesse os eixos de discussão e os materiais relacionados (trechos do filme, artigos e depoimentos):

1. Elena é o espelho no qual se reflete a turbulência presente no coração de todos os jovens

Ao encontrar o diário da irmã, Petra Costa reconhece as suas próprias questões, angustias e incertezas. Percebe que vivem o mesmo momento de urgências. Pouco depois Petra Costa percebe nas Ofélias, de Shakespeare, o arquétipo que une várias jovens mulheres e conta que se sentiu no dever de fazer um filme sobre esse sofrimento silencioso. Segundo ela, ELENA foi produzido para o jovem, para quando tudo parece ser uma questão de vida ou morte.

Na juventude, o indivíduo processa de maneira mais intensa a construção de sua trajetória, a definição de valores valores, e a busca de sua entrada na vida social. É nesse processo que o jovem constrói sua identidade e define projetos de vida. Por isto, é a fase da vida mais marcada por ambivalências: de um lado a família e a sociedade e do outro a expectativas de emancipação.

2. Medos de sobrar, de morrer e de se desconectar

Em meados dos anos 80, Elena deixa de brincar de teatro com a irmã e vai para Nova Iorque, ser atriz de verdade. O momento de transição entre a brincadeira da infância e tornar-se adulto de verdade é de difícil compreensão e, segundo Regina Novaes, marcado por três grandes medos: de sobrar, de morrer e de desconectar-se. ELENA aborda esses elementos da condição juvenil de forma sutil e delicada, permitindo e facilitando o diálogo com e entre jovens.

Materiais relacionados:

Juventude e adolescência no Brasil: referências conceituais. Organização Maria Virgínia de Freitas, 2005, Ação Educativa.

Políticas Públicas de Juventude. Secretaria Nacional de Juventude.

Juventude e sociedade: jogos de espelhos. Sentimentos, percepções e demandas por direitos e políticas públicas. Regina Novaes

Mapa da Violência. Flacso Brasil e Centro Brasileiro de Estudos Latino Americanos.

– Retratos da Juventude Brasileira Análises de uma Pesquisa Nacional. ABRAMO, Helena (org.) BRANCO, Pedro paulo Martoni (org.). 2005. Ed. Fundação Perseu Abramo

As juventudes e a luta por direitos. Regina Novaes. Le Monde Diplomatique.