Não leia esse texto sobre ELENA

Por: Felipe Pauluk – site Canal Click – 13/8/2013

Domingos não são os melhores dias, pelo menos pra mim, ainda mais com um frio daqueles de deixar a mãos inúteis, e a vontade de sair fica debaixo do cobertor.

Mas eu precisava, mesmo por teimosia, eu precisava ir ver Elena. Muito me falaram sobre, e eu sempre digo: filmes brasileiros com muito “fuzuê” sempre me fazem quebrar a cara. Das últimas vezes eu sai das salas de cinema com o sentimento de um espectador de sessão da tarde.

Mais ou menos 1 mês atrás eu me deparei com o trailer de Elena e um grupo de pessoas gritando nas redes sociais: “quero ver”, “deve ser lindo”, “tô ansiosa”, “meu deus, preciso ver”. Já tomado por repúdio de uma bola de neve modista tentei me esquivar, vi o trailer e deixei de lado tudo e qualquer informação sobre a película.

Fiz bem e aconselho que todos façam.

Não leia nada sobre Elena, não olhe para as críticas e se puder (se puder) somente assista o trailer.

Nem a sinopse se atreva ler.

elena

Bom, fui ver o que Elena queria comigo num domingo à noite no CINECOMTOUR UEL. Muitas pessoas, algumas caras conhecidas e eu com vontade de ver o rosto dela. Amigos já tinham visto e disseram que eu não me decepcionaria.

Eu não quero aqui transcrever uma sinopse ou redigir uma crítica. Eu não quero falar da fotografia do filme, ou do texto, ou da direção. Eu quero é rasgar o coração de todos vocês.

O filme me causou cerca de 1000 sensações diferentes, me deixou aflito, me fez chorar como eu nunca havia me derramado na frente de uma telona. Eu morri umas duas vezes durante a sessão. Eu ressuscitei de 3 a 4 vezes do início ao fim. Eu tenho certeza de que não assisti um filme, sentei diante de Petra Costa (a diretora) e tivemos um diálogo simples e provocante sobre a vida, sobre a arte, sobre o que é ser um ser humano.

Cheguei em casa desnorteado. Não é drama, não. Sai correndo da sessão, pois o filme termina e não seria nada estranho se tivesse uma advertência nos créditos assim: “vá e chore”.

Confesso, Elena ainda está mexendo comigo. Vá ver Elena, não demore.

> Elena em Londrina – infância clandestina

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