Mãe, Elena, Petra: impressões sobre Elena

Por Anne Damásio – blog Ridículo Consumado – 9/8/2013

 

Quando ela fica assim com o olhar perdido ela quase sempre vê Elena. Mas não é de Elena e sua presença tão palpável a ponto de apagar as vozes que a narram que eu quero falar…Eu quero falar de você Petra, dessa abnegação suprema por Elena, quero falar de como tudo em você é a presença/ausência de Elena. A sua pergunta ecoa na minha cabeça sempre prestes a estourar, não de dor, mas dessa espécie de taquicardia psíquica que me acompanha pela vida a fora. E como toda pergunta definitiva, nos deixa atônitos: Qual o meu papel? Qual o meu papel nesse filme? E a essa eu acrescento, quem é você? Quem é você Petra?

Então, nessa confusão de vozes que narram, de fios entalados no peito, você sente a presença de Elena, agora sua irmã não é apenas aquela que se foi, deixando as marcas da necessidade de viver de/para a arte em você. Ela não é só a que você tem que esquecer, ela é aquela que te faz lembrar tudo que você não pode ser. Elena está em você, e você ‘afoga-se nela’…e oferece outra vida a ela, para mata-la em seguida…interpreta Elena para se entender, como eu que escrevo sobre a morte para suportar viver.

Petra, a anti-Elena, a que nunca deveria ser atriz, nunca deveria pisar em Nova York.  E Elena dentro dela, enroscada nas recordações, que Petra guardava no canto esquerdo da sua cabeça, e que vez em quando se derrama pela cabeça inteira, ameaçando devorar alguém que ela nem era ainda…para ser alguém ela deveria encontrar Elena, refazer caminhos. Mas tenho medo, me ocorre que ela se entregue meio que subversivamente a tudo que não deve ser, e vá embora com Elena. Fica Petra, vai!

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