Eu precisava ver esse filme

Por Isabela Lennon blog Nowhere Girl – 8/8/2013

Uns dias atrás meu marido trouxe uma revista Época que um senhor tinha dado pra ele na rua. Dei umas folheadas, interessada numa matéria sobre celular e internet. Mas em meio aos outros textos, encontrei um com a foto de Petra Costa com o título “A arte ajudou a curar minha dor”. A princípio pensei: “bléh, deve ser só mais uma matéria recheada de demagogia. Mas, meio sem querer, acabei lendo um pedacinho que falava da irmã de Petra, a Elena, que tinha falecido em 1990 e que, muitos anos depois, impulsionou sua irmã a saber mais sobre ela e criar um filme; acabei lendo a matéria inteira. Aí não deu outra, fiquei super curiosa e me perguntei: “quem é Elena? ”

Joguei no Google, vi fotos e achei a página oficial do filme. Foi ao ver o trailer que percebi:

EU PRECISAVA VER ESSE FILME.

Procurei feito doida, pensei que não fosse achar. Mas aí, felizmente, tive acesso a ele.

A princípio fiquei meio assim “vai que nem é tão bom quanto parece?”, mas dei um voto de confiança ao documentário.

Nos primeiros minutos, a surpresa: logo de cara o filme começa com a “Dedicated to the one I love“, uma das minhas músicas preferidas do “The Mamas & The Papas”. Até arregalei os olhos de alegria. É lógico que ali eu já tinha sido conquistada.

O filme todo tem um misto de lirismo e dor tão intenso que beira ao indescritível. Além da tristeza pulsante, claro. Mas o que é lindo é que essa tristeza foi sintetizada cheia de luz, com muita poesia e sensibilidade. A princípio o filme começa tão terno e juvenil, narrando os anos iniciais da vida de Elena e Petra, que quase esquecemos que a história é triste. Parece um conto de alegria e amor; amor à arte e a vida.

Mas ao longo dos minutos a narrativa pesa, fica carregada de sentimentos tristes. E nem assim o filme perde sua beleza.

Assistindo “ELENA” tive sensações semelhantes às que senti quando li The Lovely Bones pela primeira vez:  mistura de luz e dor, um leve temor quanto a fragilidade da vida, retraição e vontade de sair correndo, suspiro cheio de sentimentos doces… enfim, terminei a história com uma impressão forte que me fez ter sonhos agitados.

Pra quem gosta de histórias bonitas e não se importa que elas sejam tristes, esse documentário é um prato cheio. Valeu cada minuto assistido.

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