ELENA: uma doce reflexão sobre a vida

por: Henrique Arruda – Novo Jornal (Natal/RN) – 10 de Julho de 2013

Depois de forte campanha nas redes sociais, documentário tem estreia prestigiada na abertura da SEDA Natal 2013

Em tempos de Instagram e culto ao vintage, “Elena” é um prato cheio para os olhos dos admiradores de videoclipes editados na escola “Lana Del Rey” de edição.

Mas antes de falar sobre o filme em si, vale o destaque para o fato de que a estreia do documentário em Natal só serviu para comprovar o óbvio: o público da capital potiguar deseja e muito por uma renovação das suas salas de cinema. Antes mesmo do relógio marcar 17h30 todas as 100 senhas para a sessão (que começou às 18h) estavam esgotadas. O centenário casarão que abriga o Solar Bela Vista na Av. Câmara Cascudo, Cidade Alta, teve uma noite repleta de amantes de um cinema raramente visto em Natal.

Elena começa confuso e somente aos poucos o espectador diferencia cada uma das 3 mulheres que juntas contam a breve vida de uma delas: a filha mais velha de uma jornalista e socióloga, a irmã mais velha de uma atriz e cineasta, a menina que durante os 20 anos de vida sonhou em ver o nome Elena Andrade nos créditos finais de filmes norte americanos, mas que desistiu de tentar.

A história é revelada através de uma doce narração na voz de Petra Costa, irmã de Elena e diretora do filme. Uma carta vai sendo lida por ela aos poucos, dando a dose certa de ficção à realidade que é apresentada ao espectador através de uma sucessão de imagens de arquivo da família. Ao longo de quase 1h30 de projeção imagens caseiras se confundem às gravações feitas especialmente para o filme que guia o espectador por uma série de lembranças muito bem tratadas visualmente. A impressão que fica é de um longo videoclipe lindo visualmente e poético na sua “música”, no seu texto.

O destaque vai para a sequência em que Petra ressalta a frieza do laudo médico comprovando a morte de sua irmã, momentos depois de ter bombardeado o espectador com várias cenas de Elena e com um depoimento bastante comovente de sua mãe que chega até mesmo a relembrar a posição em que encontrou a filha mais velha praticamente sem vida no quarto do apartamento em que todas elas moravam em NY.

Surge na tela inclusive uma segunda opção de título para o filme (ou pelo menos assim pensei) que poderia ter se chamado “300 gramas”, o peso que o coração de Elena tinha quando deixou de bater depois de não ter suportado a ingestão de uma dose forte de cachaça aliada à uma grande quantidade de aspirina.

No final das contas, a película gera simpatia porque a história de Elena é comum, senão com a sua, mas com a do seu filho ou com a do seu irmão, quem sabe. A história de uma (um) jovem que busca apenas se descobrir na vida para dar certo e não decepcionar a sua própria ambição. Para não alongar mais, vale ainda parabenizar a trilha sonora e as cenas finais com Petra e sua mãe em um rio simulando uma antiga gravação de Elena. Lindo!

Fica a dica: Elena será reexibido no Solar Bela Vista dentro da programação da Semana de Audiovisual de Natal (SEDA) no próximo dia 29 às 19h.

Até ia terminar o post com o trailer do filme, mas preferi mostrar esse vídeo bem bacana cheio de gente do tipo Wagner Moura e Júlia Lemmertz contando aventuras e desventuras com a tal da Elena. Quem é Elena? Olha:

 

* A exibição no dia 29/7 foi cancelada.

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