ELENA emociona do começo ao fim

Por Flávia Salim – blog Tendências em Comunicação – 5/10/2012

Elena, documentário de 82 minutos, concorreu no 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro na categoria longa-documentário. O filme conta a história de uma família mineira, onde a filha mais velha, que dá título ao longa, tem o sonho de ser atriz de cinema. Ela viaja para Nova York em busca de seu sonho, mas depois de algumas decepções entra em depressão e morre. Depois de 20 anos, Petra Costa, irmã de Elena, cuja separação ocorreu quando ela tinha sete anos, decide percorrer os caminhos que a irmã trilhou para compreender o seu destino. Por meio de relatos, gravações caseiras, fotos e depoimentos da família, Petra vai reconstituindo a vida de Elena e sua própria vida, numa mistura de sentimentos, sofrimento e de libertação.

O documentário autobiográfico de Petra Costa usa a câmera e os arquivos de família como memória para contar ao espectador a sua vida e sua relação com a irmã mais velha Elena, sua grande inspiradora. A delicadeza com que são retratadas as lembranças e a narrativa arrastada na voz de Petra conseguem transmitir a angústia que a protagonista sente ao buscar compreender a separação e as escolhas de Elena, na tentativa de aliviar a dor que assola sua família com a partida e morte da irmã.

Petra Costa utiliza imagens e trilhas sonoras envolventes que vão, aos poucos, revelando seu drama pessoal. Narrado em primeira pessoa, a diretora e protagonista utiliza o suspense ao levar o espectador a caminhar com ela pelas ruas de Nova York, a visitar os lugares onde Elena viveu numa espécie de jornada em busca de respostas, de significados. Petra consegue transmitir a forte ligação de sua relação com a irmã e com sua mãe, Li Na, também integrante do elenco, por meio de suas conversas com Elena e depoimentos da família e amigos, criando uma sensação de que a qualquer momento Elena responderá.

A beleza e a delicadeza do documentário fazem com que o público torça para que Petra se encontre com Elena e toda a dor que sente seja curada, não pelo caminho escolhido por Elena, o da morte; mas, pela ressignificação da vida retratada de forma tão suave na cena das águas, onde os corpos são levados, suavemente, e renovados. Ao contar a sua dor e seu drama neste documentário Petra divide com o espectador suas tristezas e esperanças preservando, desta forma, a memória de Elena e trazendo sentido a sua vida.

Elena foi exibido ao público no domingo, 23 de setembro, último dia antes da premiação do júri oficial do evento. Ao final da exibição, a plateia o aplaudiu demoradamente. Inclusive eu, pois fui tocada pela história de perda e busca de respostas das três mulheres: Petra, Elena e Li Na. Assim como torci pelo reencontro e reconstrução de uma família, também torci para que o documentário saísse vencedor do Festival.

Foi com satisfação que li, no jornal seguinte à premiação, que Elena, de Petra Costa, ganhou os prêmios de melhor direção, direção de arte, montagem e júri popular na categoria de longa-documentário. Os aplausos do público foram acolhidos. Petra conseguiu que todos nós conhecêssemos Elena vista por seus olhos. É um filme que, certamente, vale a pena ver de novo e tantas vezes que for necessário para não deixar escapar nenhum detalhe, nenhuma mensagem, nenhum sentimento.

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