ELENA – A dor mostrada em poesia

por: Ronald Luis – blog Renova Blog – 27/5/2013

Na noite do dia 27 de maio de 2013, vi a obra-prima da sétima arte chamada ‘Elena’. Um documentário intimista ao extremo e de alta sensibilidade, que nos leva a reflexão e que dificilmente sairá de minha mente.

O filme apresenta Elena, que tem o sonho de se tornar atriz de cinema e vai para Nova York, deixando no Brasil uma infância vivida na clandestinidade, devido à ditadura militar implantada no país, e também a irmã mais nova, Petra, de apenas sete anos.

As imagens de arquivo da família, aliadas a narração da diretora Petra Costa, que também é irmã da Elena real, possuem uma sintonia natural, capaz de emocionar a platéia, e em algumas situações levar às lágrimas. O que se vê no filme é mais do que um mero retrato de Elena, mas uma busca da irmã por alguém que ela tão pouco conheceu.

Duas décadas depois, Petra, já atriz, numa atitude corajosa, embarca para Nova York atrás da irmã. Em sua busca Petra apenas tem algumas pistas, como cartas, diários e filmes caseiros. Ela acaba percorrendo os passos da irmã até encontrá-la em um lugar inesperado, dentro de si mesma.

Enfrentei a dor da morte há 3 dias, quando perdi meu cunhado. Ainda estou de luto. E o filme é sobre morte, e sobre como a família, em especial a mãe e a irmã lidaram com a situação.

O filme tem vários momentos marcantes. Uma simples carta, ou um laudo médico é muito bem mostrado em tela. Alguns efeitos de vídeos, compõem a história e dão sentido ao que está sendo apresentado. O uso das sombras, o movimento da câmera, o ângulo, a estética como um todo, tudo está de certa forma estruturado e compõem a obra de arte que é este filme.

O filme é de um beleza impressionante. A dor é mostrada em poesia, as imagens não são aleatórias, o ritmo é mantido pela narração em off… Excelente e altamente recomendado.

 

 

 

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