Uma linda homenagem

Por: blog Hollywoodland – 18/8/2013

Impossível não gostar da intensidade utilizada por Petra Costa em contar a história vivida por sua família, onde com detalhes emocionantes e repletos de amor, disponibilizam ao público uma obra imperdível.

Longe de gostarmos de tragédia, mas é impossível não apreciar a linda homenagem de uma irmã e uma mãe que carrega por toda a vida uma culpa natural de que poderia ter sido diferente. Não que isso seja relatado ou mencionado, mas até mesmo os apreciadores acaba sentindo essa intensidade do que poderiam ter feito diferente. Teria como salvar uma garota incrível da depressão? Jamais uma mãe ou qualquer membro de uma família pode imaginar que seu filho possa chegar ao ponto de tirar a própria vida.
Sendo assim a grande surpresa de incapacidade e culpa por não ter compreendido realmente a gravidade de uma situação vivida por alguém tão próximo, onde podemos notar que isso não acontece somente em uma ou duas famílias, mas sim em diversas que acaba tendo a infelicidade de conviver com a depressão de alguém tão amado.

E em uma experiência única cinematográfica, Petra Costa nos presenteia com essa opção maravilhosa da experiência trágica de sua família, que não se apega exclusivamente em uma tragédia pelos fatos negativos, mas sim ao nos apresentar como uma homenagem a alguém tão importante, que fez a diferença e continua fazendo através da saudade por tudo que ela representa em suas vidas. Onde mesmo ela não estando presente como matéria, ela certamente estará ouvindo por estar invisível.

Um documentário biográfico que parece até possuir roteiro, narrado quase sempre por Petra Costa, que conta a história de Elena, que viaja para Nova York com o mesmo sonho da mãe: ser atriz de cinema. Deixa para trás uma infância passada na clandestinidade dos anos de ditadura militar. Duas décadas mais tarde, Petra também se torna atriz e embarca para Nova York em busca de Elena. Tem apenas pistas. Filmes caseiros, recortes de jornal, um diário. Cartas. A todo momento Petra espera encontrar Elena caminhando pelas ruas com uma blusa de seda. Pega o trem que Elena pegou, bate na porta de seus amigos, percorre seus caminhos. E acaba descobrindo Elena em um lugar inesperado. Aos poucos, os traços das duas irmãs se confundem, já não se sabe quem é uma, quem é a outra. A mãe pressente. Petra decifra. Agora que finalmente encontrou Elena, Petra precisa deixá-la partir.

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