Um grito, um alívio

Por Kika Contijo – Blog Kika Contijo – 29 de maio de 2014

Foi preciso muita coragem. Logo em seu primeiro longa, a diretora Petra Costa, conta com sensibilidade o luto, a dor e a saudade da irmã, Elena.

Elena, moça alegre, cheia de vida e sonhos, suicidou-se em NY, aos 21 anos, quando a irmã Petra tinha apenas 7.

O filme, cheio de vídeos das irmãs e o comovente depoimento da mãe das meninas, é forte, doloroso e lindo. Como uma carta, que Petra escreve à irmã. Um grito … um alívio para algo que ela bem sabe que não tem alivio. Através do filme, Petra busca se reconciliar consigo mesma e seguir em frente. Talvez um acerto de contas com sua irmã e com sua própria vida, ousando enxergar a si mesma como realmente é, não fantasiando sobre algum dia superar a morte de Elena, mas compreendendo como essa morte a moldou e fazendo o possível para viver o melhor que pode com quem ela é, aceitando-se por completo e por isso mesmo encontrando certa paz.

Quando foi lançado, em 2013 no Brasil, o filme ganhou vários prêmios. A sempre sisuda New Yorker, rasgou longos elogios ao longa: ´´Belo, melancólico, atual, denso.

Vale muito a pena assistir.

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