Um filme construído pela emoção e poesia

Por: Marco Antonio Moreira Carvalho – blog Odisseia – 10/8/2013

“Elena” é um filme construído pela emoção e poesia. A diretora Petra Costa mergulha nas suas memórias e procura reencontrar sua irmã Elena que aos 21 anos cometeu suicídio. Petra tinha 07 anos quando a irmã morreu e ambas tinham um relacionamento amoroso intenso. No filme, de forma lírica e poética, a diretora procura reencontrar com todas as memórias possíveis resgatando gravações em áudio e vídeo da irmã, buscando respostas para sua saudade e para o vazio que a ausência de Elena deixou na sua família e para si própria.

O filme é emoção pura, partindo da narração da diretora relatando seus sentimentos, passando pela montagem simples que revela ao espectador quem é Elena e como ela era vista pela mãe, irmã, amigos e chegando ao momento decisivo do que fazer com esta dor e este vazio. Vejo que ao realizar “Elena”, Petra Costa usou a arte para entender a sua dor. Uma dor que não passará nunca mas que pode ser controlada a partir da expressão, da confirmação, da interpretação do que foi Elena e de que forma isso pode ajudar a se seguir em frente, a valorizar o que ela deixou de bom, de intenso, de infinito. O filme de Petra Costa não tem medo de ser emotivo. É pura emoção, sim. Sem apelos, exageros, dramas vazios. É a vida como ela é e como isto pode afetar a vida das pessoas.

Surpreendente, “Elena” é uma das grandes surpresas do festival de Brasília ano passado e finalmente chega ao nosso circuito. Não deixe de prestigiar este lançamento.

O filme está em exibição no Cine Líbero Luxardo até o dia 25/08.

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