Um diário narrado

Dois dias antes da estreia no circuito comercial, o blog Cinema na Rede – site especializado em resenhas críticas dos principais lançamentos do cinema – já havia publicado um texto crítico sobre Elena. Nele, José Leonardo Tadaiesky comenta o caráter intimista do filme que muitas vezes lembra um diário narrado – 8/5/2013


Cena do filme Elena

Em Elena, a diretora Petra Costa revive um evento traumático em sua vida e no de sua família, o suicídio de sua irmã mais velha Elena, que tinha apenas vinte anos de idade e sonhava em se tornar uma grande atriz de cinema. O documentário é construído a partir de vídeos caseiros, testemunhos de familiares e amigos, além de gravações e diários pessoais da própria Elena.

A diretora, que também é a narradora, parece estar falando diretamente para a irmã, evocando seu nome sempre que possível, usando os pronomes você, nós, nosso, simulando uma conversa. Isso acaba por dar ao filme um caráter intimista e muitas vezes lembra um diário narrado.

O filme mostra o fascínio pelo cinema que a família tinha. A mãe de Petra e de Elena também sonhou em ir para Hollywood durante a adolescência, mas esse desejo cessou quando ela conheceu seu marido e pai de suas filhas, um revolucionário. Os dois tiveram Elena durante um longo período de exílio no interior do Brasil. Mas como narra Petra, Elena queria ser atriz desde os quatro anos de idade, e nos anos que se seguiram vários vídeos caseiros foram feitos por ela, alguns estrelados também pelo bebê Petra.

Elena fala de perda e memória, mas também de amor à arte e à vida

O desejo de ser atriz prevaleceu e após um tempo em uma com panhia de teatro em São Paulo, Elena se muda para Nova York com esperança de que terá sucesso. Mas as decepções são mais freqüentes do que as conquistas, e aos poucos a tristeza a vai consumindo a ponto de deixá-la cansada de viver. Ela dizia que sem sua arte ela preferiria morrer.

Petra Costa consegue criar um documentário sensível, intimista, que busca homenagear o trabalho da irmã, assim como dar um sentido de conclusão para as pessoas envolvidas na vida de Elena, que sofreram e ainda sofrem com sua morte tão precoce. A diretora tinha sete anos quando sua irmã faleceu, e para ela o evento trouxe conseqüências para sua vida que a levaram a fazer esse filme.

Elena foi premiado no 45º Festival de Brasília nas categorias melhor direção, melhor montagem, melhor direção de arte e melhor filme pelo júri popular, todos na categoria documentários, além de ter recebido o prêmio de melhor documentário no Film de Femmes 2013.

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