Sentimentos similares

Por Fanny Ladeira, no blog Café com Blá, Blá, Blá

Não há palavras para descrever ELENA, documentário nacional, lançado esse ano, produzido pela Busca Vida Filmes, e apresentado em importantes festivais de cinema como o Tribeca.

Porém, acredito que Elena foi feito exatamente para não  ser descrito em palavras. Acompanhando a história real  de Elena Andrade, e sendo narrado, montado e dirigido por sua irmã mais nova, Petra Costa, o documentário mostra através de vídeos, cartas e depoimentos pessoais da própria Petra, a bela e trágica trajetória da sua irmã.

Nos 82 minutos, somos apresentados de uma forma bonita, delicada e bem artística à vida de Elena, e mesmo para quem não conhece a história dela (como eu), fica aquele sentimento de proximidade com toda a situação, desde a frágil vivência de Elena em Nova York, chegando a sua relação com a atuação.

Eu havia visto o trailer desse documentário, antes de um filme, e fiquei muito ansiosa para vê-lo, até pensei que poderia ser um daqueles casos em que o trailer é melhor do que o filme.

Mas assim como a própria história, Elena nos surpreende, e consegue ser uma das melhores coisas em cartaz  atualmente, trás uma suavidade e ao mesmo uma crueza da nossa relação humana, que me comoveu e me surpreendeu.

Infelizmente, para Elena a dor e o vazio da vida foi demais, mas é tocante ver uma pequena parte dela, atingindo tantos lugares.

Como disse, não é um documentário que pode ser descrito em palavras, mas no final, é possível perceber a similaridade dos sentimentos descritos por Elena, com o mesmo sentimentos de Petra, com o mesmo sentimento da mãe delas, e se você se abrir para a experiência, poderá perceber até a similaridade com os seus sentimentos.

A realidade é que todos nós sentimos essa mesma dor, e esse mesmo vazio (em níveis e  momentos diferentes, mas o mesmo sentimento), e não é ele que torna a jornada de cada um diferente, mas sim como escolhemos lidar com ele.

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