Sensível e profundo

por: Larissa Régia – blog Mil Linhas – 7/7/2013

No último sábado, 06, fui assistir ao filme “Elena” da diretora Petra Costa, irmã da Elena, e achei o filme de uma beleza singular, como nunca vi no cinema brasileiro. Como disse meu amigo acompanhante, é um “documentário poético” e eu concordo.

Fui assistir sem ler nada sobre o filme, com a cabeça vazia. E saí com a ideia: “Elena” é poesia feita por vários poetas. A trilha sonora, a edição e a fotografia são lindas. A maioria das imagens são fielmente familiares, e assistí-las é literalmente invadir a privacidade da família. A música que embala boa parte do filme e que bastante nos emociona é da norte-americana Maggie Clifford e curiosamente a letra de “I Turn to Water” foi baseada em frases da personagem Doralda, de Guimarães Rosa, do livro “Corpo de Baile”.

Longe de fazer crítica ou coisa parecida, pois tem um monte por aí e muito bem feitas, queria dizer que todo mundo deveria assistir ao filme por uma única questão: todos somos reféns da crise existencial em algum momento de nossas vidas. Em “Elena”, essa temática é o que move o filme de uma maneira extremamente sensível e ao mesmo tempo profunda. Nos toca na alma. O filme é mesmo uma declaração de amor da irmã para Elena. Ao assisti-lo, reconheci-me em várias cenas e acho que todos nós nos encontramos na Elena ou na Petra ou na mãe.

Quando Elena se suicidou no dia 01 de dezembro de 1990, eu tinha 59 dias de nascida (Isso não é spoiler!). Hoje, com 22 anos, eu a conheci de um modo bastante especial. Sinto que estive nessa crise existencial o tempo todo, mas os últimos meses foram mais difíceis. Embora o foco deste post não seja minha vida, preciso dizer que me senti Elena, por vezes, é verdade. É meio embaraçoso se ver, se identificar com alguém desconhecido.

O suicídio é pesado e dolorido para quem vai e para quem fica. Mas essa crise existencial meio que assombra todos nós em algum momento. Penso que o mais assustador é o extremo, aquela luz excessiva ou escuridão que te cega e não te deixa viver. Porque viver é ver, como diria Sabina em a “A Insustentável Leveza do Ser”.

Ah! Assisti ao filme no charmosíssimo Cine Lume. Ainda não tinha ido e amei. A única sala do cinema tem espaço para uns 60 lugares e fica localizado no Edifício Office Tower, no Renascença, em São Luís (MA). Vale muito a pena conferir a programação!

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