Os anos 80 não foram fáceis pra ninguém

Ivana Arruda Leite, em seu blog pessoal Doidivana – 25/5/2013

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Hoje fui ver Elena preparada pra morrer de chorar. Acreditem, não tive nem o mais leve nó na garganta. Nem de longe. O filme é lindo. Um poema de imagens, palavras e cores. Mas é um filme doente sobre mulheres doentes. E a loucura não me emociona. Sou capaz de verter baldes de lágrimas com O que se move, por exemplo, onde se vê o drama real de mulheres reais, fortes, que são pegas no contrapé do destino e veem a vida ir por água abaixo. Mas a melancolia de uma família que embarca na ilusão de que a arte vale mais que a vida, sinceramente, me encanta mas não me comove. Minha vontade o tempo todo era mandar as três pararem de filmar, jogarem a porra da câmera fora, saírem do vórtice narcísico onde se meteram e irem procurar um bom psiquiatra. Os anos 90 não foram fáceis pra ninguém. Quem não fincou o pé na terra, dançou (no pior sentido do termo). Naquele momento, se eu não tivesse uma família de não-artistas que me obrigou a tomar vergonha na cara e trabalhar, com certeza não estaria aqui pra contar a história, pois em uma das 1032 vezes que eu pensei em me matar teria dado certo. Se a Elena tivesse alguém que lhe dissesse que a arte não pode ser tudo na vida de uma pessoa, que vida de artista é feita de 99 nãos e 1 sim, quem sabe ela prestasse um concurso público e se aposentasse aos 60 anos feliz da vida. Muitos vão falar: Deus me livre, que babaquice! Eu digo: mil vezes uma babaca viva do que uma artista morta. Até porque a arte continua ao alcance da mão da babaca. O filme é lindo, repito. Vale muito a pena assistir. Mas se tem um nome pra emoção que ele me suscitou esse nome é raiva. Uma menina tão bonita… Tomara que a Petra esteja devidamente medicada porque ela é talentosíssima.

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