O Tudo e o nada sobre Elena

Por Rainiere, no blog Radar Mundano – 29/9/2013


Premiado na categoria documentário no 45º Festival de Cinema de Brasília, ELENA, de Petra Costa, não passa sem deixar um rastro de emoções em quem o assiste. O gostei ou não aqui ganham conotações diferentes. É impossível ficar insensível ao trabalho da diretora, também atriz, de 29 anos, que apresenta a trajetória feminina familiar, vinda de sua mãe, passando por sua irmã 13 anos mais velha, a Elena do título, e nela mesma. A riqueza do material por elas documentados em câmeras amadoras em seus cotidianos é surpreendente e garante o tom verdadeiro. Em uma dessas cenas, Elena dança com seus longos cabelos no frescor dos seus 16 anos, durante uma festa em que depois Petra aparece em seu colo. Na sequência, ela dirige a pequena irmã, que diz que não pode encenar por estar no banho e não conseguir fazer as duas coisas ao mesmo tempo. A visão desse laço genético está encadeada já com uma sensação de efemeridade, talvez pela infância e juventude latentes das protagonistas e algo de que uma quebra na felicidade desses verdes anos está por vir. O nó na garganta se forma!

Aliada às imagens caseiras, uma fotografia primorosa feita em equipe acompanha o resgate da memória no Brasil e em Nova York. A cidade americana é locação de importância nesse caminho. Nela, as irmãs vivem em fases distintas e em um dos pontos culminantes junto com a mãe. Poderia ser uma ficção intimista, de olhares e planos longos. Mas é a realidade poetizada de uma grande perda que ali tem sua catarse e se torna, de maneira dualista, libertada e presente. Muito a falar, pouco a dizer sobre a obra que surpreende a cada (re)descoberta. Fica o desejo de uma carreira valorizada para o filme, no Brasil e no Exterior, assim como poder ver o que tanto o talento de Petra tem a oferecer, não só na direção, mas como atriz.

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