“O que fica é o que ela mesma chama de memória inconsolável

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Leia, abaixo, resenha que Crib Tanaka publicou em seu blog, o Circulador.

“Quando você perde alguém, o chão falta, as perguntas sobram, as respostas não bastam. Você pode se basear na fé – e aqui não digo religião -, na fé na (sua) vida e com isso ter um pouco de tranquilidade . Pode tirar forças de algum lugar antes não visitado para continuar seguindo com o que gosta de fazer (ainda que demore a sentir gosto em qualquer coisa) e isso ser uma alavanca. Pode simplesmente seguir sem pensar, quase no automático, deixando o tempo suavizar a dor – e ele não cura, ele cicatriza uma ferida que para sempre dói quando o tempo está prestes a virar. Logo depois, chove. O único desejo é que a sensação de abismo fique menor, que você volte a pisar em algo plano e que em algum momento o seu sorriso possa sair frouxo e leve.

Isso tudo faz parte de Elena, filme de Petra Rocha. Com imagens documentais de arquivo pessoais da diretora, misturadas a novas e poéticas cenas, o filme trata da busca de Petra pela irmã Elena. A busca pelo que ela deixou, pelo que ela foi, pelo que as irmãs viveram até Elena interromper a própria vida.

Nessa busca, seguindo passos da irmã e nos deixando caminhar juntos, Petra também se descobre, se compreende. Durante todo o filme, o espectador é guiado pela voz e pensamento da diretora, que vai nos contando tudo que viveu e sentiu, como em uma linha cronológica emocional. E, no final, a resposta – que todos nós buscamos – é que não há o que entender. O que fica é o que ela mesma chama de “memória inconsolável“.

No site do filme, tem links para possibilidades de parcerias para exibição do filme, debates e outras atividades, assim como concurso cultural e espaço para publicação de insights que espectadores queiram compartilhar.”

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