Na defesa do que é belo e essencial para todos

por: Luiz Alberto Sartori Inchausti  – 8/7/2013

Cara Petra

Uma obra de arte tem que falar por si, tem de ter um resultado que emocione, que passe um sentimento e nos faça refletir.

Para que isso aconteça, em qualquer obra de arte, é preciso que o criador sinta, vá fundo no que faz, tenha uma consistência de trabalho, de pesquisa, de realização e de amor ao que se está fazendo. E tudo isso a gente sente no seu filme, sem mesmo ter participado do seu encontro aberto com os interessados aqui em Belo Horizonte.

Seu filme é tudo isso, fala por si, emociona, passa um enorme sentimento e nos faz refletir.

Ter participado do seu encontro aberto só reforçou tudo aquilo que ja tinha sentido em relação ao filme e acrescentou um enorme prazer em te conhecer melhor.

A realidade que você tanto pesquisou e trabalhou, acabou por complementar a sua realidade e formatar uma nova realidade sua, com a qual você trabalhou. E acho que foi em cima desse sentimento  consistente e forte que você conseguiu construir o filme.

Nós tivemos a oportunidade de te conhecer e de conhecer melhor como se passou a montagem de seu trabalho, o desenvolvimento dele e tudo mais mas, o mais importante talvez seja mesmo o que você pode apreender desse encontro: quando a gente faz uma obra qualquer com seriedade, com sentimento, com pesquisa, enfim com amor e, finalmente com coragem e riscos assumidos, a gente colhe frutos até muitas vezes inesperados. Você sentiu como diversas pessoas, de diversas áreas do conhecimento, comentaram e viram o seu filme.  Viu também como a sua mãe está compreendendo, assimilando e metabolizando esta experiência, ou seja, cada um de nós está enxergando coisas que você nunca pensou, mas que na consistência do que você fez, elas encontram acolhimentos para nossos sentimentos próprios, para nossas viagens próprias,  para nossas loucuras, fazendo com que a unidade de sua obra abranja e abrace toda uma diversidade de reflexões e sentimentos que ela provoca.

Gostaria aqui de relembrar umas palavras do Carlos Scliar, pintor, já falecido, muito propícias para o que você fez e conseguiu de resultado: 

“ … A todo instante tenho consciência do que está acontecendo e desejaria com minhas obras, gestos e palavras, atuar sobre os homens. Gostaria poder sensibilizá-los, fazer de seus olhos instrumentos inteligentes que saibam ver, pensar e agir na defesa do que é belo e essencial para todos. São limitados os nossos meios e pretensiosas nossas intenções – e inúmeros os caminhos – para discutirmos o que nos parece importante. Minha crença nos valores fundamentais da humanidade faz de mim, um elo, ainda que precário, com tudo o que foi e com o que será. Tento fazer do ato de criar um instante de inteligência e de amor ao homem.” 

É isto que sinto que você conseguiu. O seu jeito de ser, a sua naturalidade e a sua interioridade e a sua singeleza transmitem um amor ao ser humano. Abre uma reflexão sem precedentes. Traz à tona um problema que não é tão particular assim, é de muitas pessoas, muitos jovens que estão inseridos nesse nosso mundo de hoje. E isto não bate fundo só em quem passou por esse problema, bate fundo em todos nós, cada um a sua maneira.

Agora, com relação a linguagem cinematográfica, acho que você deve estar colhendo os frutos entre o que pensou primeiro, entre a evolução do seu pensar, entre o que você pensou em fazer e o resultado do que você fez. Este sim é o que vale, entretanto, esta experiência é so sua e tenho certeza que voce esta tirando muitas conclusões para seu próprio aproveitamento, pois tem talento para o cinema.

A linguagem do cinema, a meu ver, é uma das mais completas e diretas de todas as artes. Ela atua direto e profundamente nas pessoas, até quando é só para divertir, – como prima o cinema americano!

As imagens escolhidas por você, montadas por você, em nenhum momento escorregam nas intenções e propostas do filme. No final, num determinado momento, pensei ser o fim do filme, mas ele se prolongou por mais uns poucos minutos e pelo desenvolvimento das imagens e reflexões, achei interessante. É só um sentimento que eu tive.

O que eu sinto e desejo que realmente o faça, é não parar por ai, porque, repetindo, vocIe tem muito talento. Estarei sempre torcendo e te acompanhando em sua trajetória.

PS: Passando para outra área, fiquei muito satisfeito com o uso da rede social para a divulgação de seu filme. Muito bacana. Estou muito curioso com o desdobramento deste uso.

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