Memória líquida que escorre para nunca mais voltar

Artigo de Amanda Previdelli no blog Salada de Cinema – 21/5/2013

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Quem é Elena? O documentário de Petra Costa busca responder a esta e tantas outras questões. No fundo, o expectador já sabe quem é Elena. Ela é saudade, é memória líquida que escorre para nunca mais voltar. É triste, mas é um triste bonito.

Petra vasculhou horas de filmagens para montar esse filme que é uma intensa homenagem à sua irmã e a todas as irmãs. Quando jovem, Elena se mudou a Nova York para se tornar atriz, sonho que tinha desde criança, desde quando treinava com Petra e ensinava a irmã mais nova a cantar, lavar o cabelo e se enxaguar, tudo ao mesmo tempo.

A mineira passa a ter a companhia da mãe e da irmã na metrópole norte-americana, em uma época em que ela não dança mais como dançava quando tinha quinze anos. O filme vai, aos poucos, mostrando o desenrolar de uma depressão que parece que veio genética e que acomete a própria diretora, e a mãe das meninas.

Com a narração naquele quase caseiro sotaque de Minas, Petra se mistura à irmã. Com a voz, com as palavras, os sentimentos e os traços. O documentário reconstrói a lembrança que ela tem daquela que era treze anos mais velha.

A fotografia, tanto quanto o roteiro, é o que mais impressiona. Petra já tinha um acervo lindo, Elena deixou muito, e foi buscar ainda mais. Foi traduzir em imagens metáforas de dor, solidão, culpa e saudade.

Mas, então, quem é Elena? Não sei. Mas “Elena” é arte.

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