Filme honesto e de coração aberto

Por Elton Telles, da Gazeta de Maringá – 24/9/2013

Qual a melhor homenagem que alguém pode receber? Imerso em ternura, o belíssimo documentário Elena resgata na memória de sua realizadora, a estreante na direção Petra Costa, as lembranças de sua irmã, a personagem-título, uma jovem transgressora que queria viver o sonho de ir para o exterior e ser atriz de cinema. O filme deixa muito transparente a importância que Elena teve na vida de Petra, e como ela era a sua bússola para tudo no mundo, inclusive para as escolhas que fez na vida. É extremamente tocante observar a profunda admiração que a narradora sente pela irmã, e nem por isso ela soa parcial, já que atribui a mesma importância para como Elena moldou o seu caráter para como a documentada, assim como todos, é um ser humano cheio de imperfeições.

Acima de tudo, Elena é um filme honesto e feito de coração aberto, repleto de insights comoventes e com um texto primoroso. O documentário se divide em filmagens de arquivo da família e a busca pela diretora em encontrar os rastros de Elena por Nova York, onde ela deu seus últimos passos. No meio dessa estrutura tradicional, encontra espaço para se deleitar em cenas transbordadas em poesia e que casam perfeitamente com a narração. É absolutamente admirável a destreza de Petra Costa de expor seus sentimentos mais íntimos, compartilhá-los com o espectador e, sobretudo, convertê-los em um filme memorável. Elena é um grande achado.

 

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