Entre a vida e a morte

por: Renata – Sem Pausa – 17/6/2013

Elena. É o filme que poderia ser um suspense se não fosse tão delicado e poético. A tensão enquanto se desenrola a narrativa aperta o peito e altera a respiração na expectativa de um final feliz. E de certa forma isso acaba acontecendo. Já nos letreiros finais , é difícil se mover da poltrona e simplesmente retomar a vida. É preciso uns minutos para botar a cabeça em ordem para ir embora com a certeza de que tem esperança no ‘the end’.

É uma história real que carrega muitas fatalidades. A pequena Elena cresceu na clandestinidade por causa dos pais perseguidos pela ditadura. De volta à vida sem esconde-esconde, os pais se separam. A dor da separação ganha leveza com a presença da irmã ainda bebê. Petra é o nome dela. Uma criança por quem Elena se responsabiliza por sete anos, depois parte para Nova York para tentar ser atriz de cinema.

Começar a vida num outro país não é tão fácil. Os indivíduos respiram culturas diferentes. E quando você se dá conta de que os seus sonhos estão indo para o ralo, tudo fica pior. Elena passa por isso; começa aflorar sentimentos de fracasso. Volta dos Estados Unidos, mas retorna com a mãe e a irmã, mais tarde. É difícil para as três.

O documentário passa pela percepção de todas elas sobre a Elena, inclusive a própria Elena. A vida e a morte; a tristeza e a alegria permeiam o filme o tempo todo, deixando sempre a dúvida SERÁ? Pois é, mas o será se concretiza. Elena ameaça e realmente se mata. Até este momento, parece que as três mulheres estão encenando a própria vida, ou a da Elena. O papel de três atrizes.

Vazio, culpa e angustia inspiram a vida de Elena. E permeiam a vida da mãe, irmã e até de quem assiste. Nada, mais nada, move esses sentimentos e pensamentos. São tão profundos que nem sei como poderiam não estar ali, dentro de Elena. Com a partida dela, como num coro, mãe e filha tentam buscar motivos para continuar. E como é difícil. Quanta dor.

Petra parece voltar à superfície após um profundo mergulho, enquanto tenta compreender quem é quem; onde ela e Elena convergem, apesar de serem diferentes. E são. Esquecer, jamais. Mas essa dor acaba guardada na memória, para de tempos em tempos ser relembrada. Elena, pode-se dizer que está pelos cantos, como o vento ou como os passos marcados por uma dança, uma dança para ser vivida.

Petra, Petra Costa é a diretora do filme. Corajosamente, decidiu fazer o documentário depois de encontrar o diário da irmã. De certa forma é uma forma de reencontra Elena ao percorrer o trajeto de Elena.

Assista o trailer do filme Elena.

Elena 2

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