ELENA – Para se emocionar

por: Cine Garimpo – 8/5/2013

Primeiramente exibido na Mostra Internacional de Cinema de SP no ano passado, Elena entra finalmente em cartaz. E vale a pena, por isso publico novamente aqui no Cine Garimpo. Profundo e tocante, Petra Costa documenta a perda da irmã mais velha, num relato pungente.

Pessoal e cinematográfico. Lembrou um pouco o que Lúcia Murat fez em Uma Longa Viagem, em que o registro documental se mescla com tomadas trabalhadas, compostas por imagens borradas, parte do imaginário, do passado, da saudade e da memória que fica após o esquecimento, a tragédia. No caso de Elena, a diretora Petra Costa narra sua busca pela memória da irmã, Elena, que matou-se ainda jovem em Nova York, quando ela, Petra, tinha somente 7 anos. E narra o seu encontro, um desfecho para anos de luto e sofrimento.

Senti como se Petra tivesse processado a perda da irmã transformando-se em Elena. A irmã e o filme.

Elena sempre sonhou em ser atriz. Filha do casal que vive clandestino na ditadura militar brasileira, é a heroína de Petra, sua irmã mais nova. Apesar da carreira de sucesso no Brasil, muda-se para Nova York para tentar um lugar ao sol. Não aguenta a pressão, sucumbe às decepções da dura vida fora dos holofotes da fama. Petra cresce sem a presença física da irmã, mas com a certeza de Elena estar por perto, quem sabe em Nova York, em algum lugar.

Essa busca, já como diretora que também se muda para a Big Apple para tentar ser atriz, é narrada poeticamente neste documentário, que abraça o espectador, faz sentir a dor e a admiração que Petra tem pela irmã, o sofrimento da mãe, o luto que precisa ser resolvido. Faz sentir, através das muitas gravações em que conhecemos Elena, em que nos espantamos com sua semelhança física com a mãe e a irmã, em que notamos seu apagar. Faz sentir, através do depoimento materno, do olhar perdido, das imagens da dor que flui na água, que leva embora, mas que conserva o frescor da saudade.

Documentário com poesia. Tratamento de imagem, de sentimento. Parece que Petra Costa cuidou de tudo, para fazer um belo filme, sobre a morte e sobre como continuar a viver. Mas é preciso gostar de poesia, deixar-se levar pelo texto e pelas imagens caseiras e familiares das meninas pequenas, da família feliz, do casamento e pelas imagens da construção atual da procura e do fechamento. Vencedor do prêmio de melhor filme pelo Júri Popular, melhor direção, montagem e direção de arte no Festival de Brasília, Elena teve sorte de poder contar com um acervo de imagens tão vasto. Petra pode recompor o passado e projetar o futuro.

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