Elena é uma metáfora da vida

Por Débora, no blog Doce Incoerência – 30/5/2013

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Assisti esse hoje no Unibanco Arteplex (agora Espaço Itaú de Cinema), em Botafogo. Assim que o filme começou, eu esperava que fosse poético, porém mais leve, e talvez um pouco mais feliz do que seria na verdade. E o início dá a entender que vai ser assim. Assisti sem ter a menor ideia de que era um documentário, sem saber que a história era real, e muito menos qual seria o desfecho. Fui conduzida, assim como a própria Petra (personagem, na história, e diretora do filme, na vida real), a crer e esperar que realmente acontecesse o reencontro entre ela e sua irmã, Elena. Demorei um pouco para desconfiar que não seria bem assim, e para perceber que o filme não seria bem o que eu esperava. Fui percebendo aos poucos, que a história mexia comigo de uma maneira ao mesmo tempo suave e intensa. Foi bem pessoal, na verdade. Eu poderia ter chorado bem antes da metade, mas demorei até chegar ao auge de sentimento que me permitiria transbordar. Mais ou menos pela metade, eu percebi que não conseguiria transformar em palavras o que eu fui entendendo ao longo dos acontecimentos, mas ainda sim resolvi tentar.

A princípio, é tudo bordado de uma melancolia escondida. Suspiros disfarçados de arte e de dança, e que no fundo são o começo de um sentimento muito grande para caber debaixo de uma fantasia tão pequena. A arte nos ensina sobre a sutileza e o exagero, e é preciso conviver entre os dois lados da balança. E pouco a pouco o exagero enjaulado vai aumentando e aumentando cada vez mais, até que Elena já não consegue mais convertê-lo em arte. E quando ela perde isso, ela desaba. E todo o exagero derrama dela, e tudo perde o sentido, porque ela aprendeu a viver nesse exagero. E nesse clima, vive a irmãzinha dela, sem entender muito, mas ainda sim consciente de que está tudo muito errado. Petra nos atravessa pela própria história, e nos mostra os acontecimentos como ela os sentiu. Depois do auge do filme, do auge da vida de Elena, e de sua irmã e mãe, o desespero vai aos poucos se transformando em poesia leve. E então, a tal melancolia do início retorna suave, e vai nos ajudando a aceitar não só a decisão de Elena de desaparecer, mas a aceitar a vida com suas reviravoltas inesperadas. E no fim, há um sentimento de paz na melancolia, que nos devolve a esperança do amor.

Senti no filme, que a história de Elena é uma metáfora da vida. Que os momentos de desespero são inevitáveis, mas que ainda sim, não importando o tamanho da tragédia, cabe a nós nos permitirmos filtrar de toda a tristeza, a pureza e a felicidade. Assim fez Petra.

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