ELENA é cinema intimista

Por Flávia Guerra, em odiario.com – 20/9/2013


“Você é minha memória inconsolável”, diz a narradora, e diretora, Petra Costa a Elena, sua irmã, que ela perdeu aos sete anos e para quem dedica o longa-metragem homônimo, o primeiro de sua carreira (que chega aos cinemas de Maringá nesta sexta-feira). Quem é Elena? Nascida em plena ditadura militar, filha de pais militantes, Elena é a garota que passou a primeira infância escondida, que viu na adolescência o Brasil se abrir e ganhar modernidade e que viu também a irmã Petra chegar em 1983, quando ela tinha 13 anos. Viu chegar também a vontade, e a necessidade de se tornar atriz e de tentar a carreira em Nova York, para onde se mudou. Pouco tempo depois, viu seus sonhos ruírem diante dos tantos nãos que recebeu. Viu-se diante da impossibilidade de praticar sua arte e da vontade e de morrer.

A morte de Elena deixou na irmã Petra a memória e a perda que a acompanharam por anos e que a levaram a, em 2003, 13 anos depois da partida de Elena, matricular-se no curso de teatro da Columbia University. “Voltei para NY para também ser atriz, percorrer seus passos, na esperança de encontrar as memórias que ela escreveu em seus diários. Eu a buscava pelas ruas da cidade”, conta a diretora.

É esta memória que não tem consolo, não se esquece, mas dá, em vez de somente dor, origem e sentido a tudo, inclusive ao filme. “Qual é nossa saudade inconsolável? Cada um tem a sua. E muitas vezes a gente evita até de pensar nesta memória e, em vez de aprender a dançar com ela, nega”, comenta a diretora, que fez de seu primeiro longa muito mais que um documentário clássico. Ao narrar em primeira pessoa, em uma conversa com Elena, Petra escreve um diário muito pessoal da busca pela memória da irmã e da luta para aprender a lidar com tamanha ausência.

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