“Elena” desabou uma cachoeira em mim

Publicado no Endereço da loucura, um texto lírico – 20/5/2013.

“Esse filme desabou uma cachoeira em mim. Faz quase um ano, eu sei. Mas me deu uma vontade de escrever, de botar pra fora, de chorar, de ler, de ouvir, de andar, de olhar, de sofrer e de sentir tudo tanto de novo…

Os meus olhos tristes no metrô. Sinto os olhares em cima deles. Olhares curiosos, espantados, penosos, não sei… mas sinto. As lágrimas teimando em cair. Eu olho pras luzes dos túneis dos trens. Passando apressadas como riscos. Como todo mundo, como todas as pessoas. Como um risco. Os sons do salto da minha bota gasta pela calçada. Esse cimento áspero. Áspero e duro e frio e sujo. Mas mais limpo que os meus pensamentos. Os meus pensamentos sujos. A minha roupa preta suja. Os meus cabelos sujos. Os fios dançando contra o vento, descabelados, se enroscando nas palavras sussurradas por essa brisa noturna. Brisa vadia. Essa que se faz doce mas é mais dura que qualquer chão… de cimento.

Chego em casa desolada. Despedaçada. O porteiro, em toda a sua simplicidade solidária, pergunta “tá triste?”. Respondo, falsamente, “não, só pensando na vida” e dou um riso tímido, como que tentando esconder o inescondível. O inefável. O etéreo, o que não se pode dizer nem tocar.

Sento para escrever e choro, ao mesmo tempo. Num desespero ritmado, calado, sofrido, escrito, tatuado. Preciso tomar banho, penso. Preciso me limpar, me lavar desse sofrer. Tirar de mim essa sensação. Do meu coração. Sexo sem amor pra mim é quase veneno, disse Petra. E Elena só queria dançar. Dançar e atuar e cantar. Arte! No meio daquela tristeza toda. ”Essa não é você”, dizem meus amigos. Mas eu sinto mesmo assim.

Vou chorar tudo no chuveiro, como sempre faço. Flutuando nesse mar de sentimentos, emoções e mágoas. As águas dissolvem as dores, ouvi dizer…”

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