Elena

por: Rogério Rolim, blog RSRolim e Outras Histórias – 23/6/2013

Quem é você que dança? Quem é você que me olha, enquanto brinca com as mãos a dançar no ar? Quem é você que busca um sentido e um entendimento em cada olhar? Quem é você que se busca em cada olhar, sem ter um entendimento completo do que é certo? Quem é você que me toma entre seus braços, e embala minha cabeça contra seu peito, como se embalasse da mesma forma, os meus sonhos. Quando na verdade, são sonhos que são e sempre serão somente teus. Sim, eu sei disso. Você me olha. Você me entende. Nós duas compreendemos da mesma voz que embala cadenciada os sonhos de quem vive a se embalar no balanço da vida. E embalo meus sonhos junto aos teus. Somos uma só. Nadamos contra esta correnteza. E quando não for mais preciso nadar, que por vezes, mergulhemos dentro de nós mesmos na procura íntima por aquilo que foi feito de nós. Sabemos? Saberemos? Eu hoje mergulhei dentro de um oceano profundo de mim mesmo, em que as águas eram como minhas lágrimas e as rochas, pequenos pedaços que comprimem meu coração. Um ancoradouro gelado e pesado. Adormecido nas profundezas de mim mesmo. E tento desalinhar as linhas de fios que querem o manter preso lá dentro. Lá no fundo. Mas não consigo. Esta frio. Esta escuro. Apenas ouço a sua voz a embalar meus sonhos, enquanto meu suspiro é só isso o que eu tenho. E ele fica preso e gravado dentro de alguma concha que eu me lembre de ter levado junto ao pé do meu ouvido, por onde ouvi o mesmo som da tua voz. A mais bela lembrança que eu me lembre, guardada nas profundezas de tudo aquilo que nós fomos e sempre seremos. Um coração vasto como um oceano profundo a ser descoberto e navegado pelo sonhador que não tiver medo de mergulhar. Que não tiver medo de ir em busca de si mesmo. Pois navegar é preciso. Viver não é preciso.

E há em mim agora, um desaguar que ecoa tua voz. E escorro. E me espalho. E deságuo.

Eu respiro arte. Eu inspiro amor. Eu inspiro a vida. Sou como uma folha plena e suave que navega sutil na brisa do vento. Leve. Um sopro de vento. Um voo de ave. E giro. Giro e deslizo. Desalinho. E me desato dos nós. E me liberto. Abro as asas e voo. Navego.

Sou um pássaro a voar. Um peixe a nadar. Uma poesia mergulhada dentro de mim. E tudo do que eu preciso está aqui dentro. Basta girar e deixar todos meus sonhos voarem. Eles estão me chamando agora, do lado de lá. Me estendem a mão. Não há mais o que esperar. E tenho pressa. E corro. E voo. Todos querem voltar. E eu devo os encontrar. Pois todos me compõe e fazem de mim ser o que sou. Leve, breve, suave. Um canto de ave.
Eu voo.

Sobre o filme ELENA de Petra Costa. Tive a oportunidade de assistir e confesso que foi um completo mergulhar dentro de mim mesmo. Dentro da poesia, da arte, do amor, da vida. Um completo giro sob o luar.

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