Uma experiência audiovisual singular e artisticamente notável

por: – The Critical Maverick – 14/6/2013

Stotyline: O longa conta a história de Elena que vai para Nova York tentar viver o sonho de ser atriz do ponto de vista de sua irmã mais nova, Petra.

Para quem eu recomendo: Para quem busca um documentário intenso muito diferente do normal.
Conceito: 8,2

Em Elena, a direção de Petra Costa tenta apresentar de uma forma mista entre artístico, poético e experimental com documental, a sua experiência física, psicológica e emocional de relacionamento com a irmã e consegue um resultado intenso e muito pessoal de forma inovadora e de uma sensibilidade memorável. Destaque para a beleza individual de alguma cenas que se aproveitam da interpretação extra-sensorial para criar um conjunto de símbolos muito forte.

Com um começo pesado e imersivo somos rapidamente apresentados, através de uma narração parte emocionada parte poética de um sonho, a trama como um todo e sua percepção, porém, o clima é rapidamente destroçado quando os créditos iniciais que entram a seguir são acompanhados por uma trilha musical que se mostrará como um dos poucos problemas do filme.

A construção geral traz um ambiente dramático e narrativo muito peculiar para dentro da construção documental, principalmente por meio da narração intimista que se mistura à combinação muito variada de formatos e apresentações de filmagens e conteúdo, como por exemplo, as filmagens em VHS vindas direto da década de 80.

O filme está recheado de metáforas e cargas introspectivas de metalinguagem, mas ainda assim, aposta muito em seu próprio realismo para fazer-se o mais tangível possível, e é daí que obtemos um resultado experimental excelente.

Um dos grandes problemas que prejudica o longa como um todo é a sua trilha musical bastante dispersa que varia e ondula em demasia sem conseguir criar um clima interessante ou manter a ambientação proposta pelas imagens, deixando a construção visual praticamente sem apoio. São poucas as cenas onde a trilha não diegética e as imagens se cruzam para uma experiência realmente completa. Tentando se apresentar de forma ampla, a trilha ainda usa uma quantidade absurda de fades para controlar o seu uso desenfreado e mal aproveitado, o que não a faz mais eficiente, pelo contrário, a torna ainda mais artificial. Uma parte menor desses problemas, advindos da trilha, acaba refletida na edição de som, que às vezes acaba se desencontrando com a proposta principal.

Elena é um convite pessoal de sua diretora para um passeio profundo dentro de sua mente para além do resgate de seu passado e de seu processo de recuperação através de uma experiência audiovisual singular e artisticamente notável onde as mensagens são tão claras quanto os caminhos são turvos.

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