ELENA

Por Lucas Pompeu –  Art Ref – 25/11/2014

elenarioPensei em começar o título desta indicação com “Documentário brasileiro sobre a vida de uma artista suicida”. O título seria básico mas mesmo assim atrairia os olhares de muitas pessoa, afinal a morte é algo que nos chama atenção. Porém, concluí que estaria mentindo. Elena não é só um documentário sobre uma suicida, longe disso. Elena é realmente uma poesia junto a um relato da vida de uma artista. Não de uma, mas de duas. Elena e sua irmã, Petra Costa (diretora do filme).

Para além das relações de vida e morte, o documentário nos traz as relações de amor, de família e de saudade. Pessoalmente houve uma grande identificação; talvez pelo fato de eu ser artista ou talvez pelo fato de eu ser depressivo, isso pouco importa. O que importa realmente é a beleza com que Petra revive a dolorosa história de sua irmã Elena, uma jovem artista que trabalhou com dança e teatro e foi para NY estudar artes cênicas.

Dentro do processo de mudança para uma cidade como Nova York, a irmã da diretora viveu o sonho e a desilusão. Quando chega na cidade tudo parece ser maravilhoso e excitante, porém, com o tempo, vai percebendo uma carência muito mais profunda dentro deste modo de vida frenético.

Essa carência começa a afetar de forma aguda seus sentimentos e dá luz a um comportamento depressivo que acaba por levar a vida de Elena para um fim trágico e infeliz. Elena se matou. Sua irmã Petra, mais nova, apesar de ser ainda uma criança, já havia construído fortes laços afetivos com Elena e, sua morte, trouxe um grande rompimento sentimental o qual é revisitado neste filme.

1906

Fugindo de um simples documentário biográfico, a diretora expõe de forma sensível assuntos tão delicados (como a depressão, o suicídio e o relacionamento familiar) e concretiza as subjetividades que nunca imaginei poder enxergar. Dei de cara com a tristeza, cumprimentei a solidão e, na mesma sala de cinema, abracei o amor.

Nada do que escrevi acima pode ter sido dito com ampla certeza. O filme é baseado em relações muito pessoais (das irmãs, da mãe, dos conhecidos). Tudo foi pura construção de significados subjetivos meus, o que claramente não pode estar 100% alinhado com as intenções ou sentimentos da autora, porém, a atmosfera, apesar de ser delicada, é muito palpável.

Elena já ganhou diversos prêmios (como de Melhor Documentário pelo júri popular do Festival de Brasília e pelo Festival de Havana) e integra a pré lista do oscar. Para mais informações, acesso a conteúdos de mídia e textos/notícias sobre o filme, acesse o site elenafilme.com

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